A exposição individual da artista Sonia Wysard, na Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida, situada na Universidade Cândido Mendes, em Ipanema, apresenta em suas pinturas um dos fenômenos observáveis da natureza: a luz quando incide numa superfície, seja ela em um túnel ou em uma piscina. Ao constituir um “horizonte de aparição”, Sonia transpõe o conceito da física (ciências naturais) às apreensões das ciências humanas (Dilthey), revelando como as experiências da vida nos preenchem, muito próximo ao que diz a cineasta Agnès Varda: “se abríssemos pessoas, encontraríamos paisagens”.
Um horizonte de possibilidades surge quando avistamos os títulos – passagem e mergulho – que são como fendas abertas a múltiplas vivências, como a capela de Rothko, o banho de azul de Klein e as pinturas abstratas de Gerhard Richter. Se a exposição fosse uma dobra, diríamos que a de dentro pulsa o ritmo poético e a de fora estabelece a ritmada história que engendra os fenômenos nos quais lidamos.